A pandemia do Coronavírus, em 2020, escancarou para toda a sociedade as mazelas que o
brasileiro, usuário do transporte público coletivo, já vinha enfrentando desde sempre, mas que
agora foram agravadas pelas restrições de circulação impostas por governantes municipais e
estaduais. É preciso destacar que a maioria dos que necessitam do transporte público coletivo
são os usuários do Sistema Único de Assistência Social -SUAS, classe trabalhadora que depende,
quase que exclusivamente, desta modalidade de locomoção em função de suas restrições
orçamentárias, ou no jargão popular “pejorativo”, os mais pobres. Qualquer usuário da Rede
Metropolitana de Transporte Coletivo – RMTC da Região Metropolitana de Goiânia – RMG,
sempre que possível naquele momento, migrará para o transporte individual motorizado, como
motos e carros. Conforme dito pelo ex-Prefeito Iris Rezende Machado, “O Transporte Público de
Goiânia (e de toda RMG) está falido” Rezende, Iris 2020.
A mobilidade de toda uma cidade impacta diretamente na qualidade de vida de seus habitantes.
O modal de transporte escolhido pela população para seus deslocamentos diz muito sobre o grau
de desenvolvimento e qualidade de vida dos que ali habitam, como já citado o caso da RMG.
Podemos citar alguns dos problemas mais comuns em grandes centros urbanos:
congestionamento de veículos e a poluição provocada pela queima de combustíveis fósseis, falta
de estacionamentos e garagens para a grande quantidade de veículos trafegando nas vias, ônibus
antigos e com pouca manutenção, além de insuficientes para atender uma qualidade mínima
exigida por quem a necessita, enfim uma infinidade de causas e consequências que poderiam ser
expostas aqui para apenas iniciar a nossa fala. Apresentar o problema sempre foi o caminho mais
fácil de discussão deste tema, e as soluções apresentadas, de forma geral, são apenas paliativas,
ou soluções localizadas e que não resolveriam a demanda como um todo. Por fim, a solução para
enfrentarmos um modelo de negócio que está praticamente falido é uma mudança radical na
forma como observamos a nossa cultura de transporte pessoal, seja pelos Ônibus Convencionais,
veículos individuais motorizados, aplicativos de transporte, bicicletas, caminhando, ou qualquer
outra forma de deslocamento dentro do tecido espacial urbano, tendo como exemplo a RMG. É
necessário que toda a população da Região Metropolitana de Goiânia comece a repensar na
forma como se desloca, levando em consideração o quão dispendioso, físico e mental, é para que
se possa sair de sua residência e ir até o seu destino final. A migração da população usuária do
transporte público coletivo, dos ônibus para os carros e motos, é grande, o que contribui ainda
mais para a piora nos índices de trafegabilidade dos motoristas e a falta de recursos das
concessionárias do transporte público para o investimento na melhora dos equipamentos
relacionados ao transporte coletivo. No final, ninguém ganhará, pois a mobilidade de toda a
região estará comprometida pela carência de um transporte público urbano de grande
abrangência, pontual, com acessibilidade garantida, e que proporcione um mínimo de satisfação
aos seus usuários.
