Como todos sabemos, Goiás é um estado com vocação agropecuária, prova disso é que no ano passado o agronegócio foi responsável por 78,1% das exportações do estado totalizando U$8,11 bilhões. Somente o complexo soja foi responsável por mais da metade das exportações ( 51,99%), seguidos pela carne bovina (19,15%), milho (10,03%), carne de frango (5,34%) e açúcar (5,28%). Na verdade, o agro não é só importante para o estado, mas sim para toda a economia brasileira. Foi este setor que permitiu, num ano atípico como 2020, que país tivesse superávit na balança comercial total de U$50,89 bilhões sem descuidar do abastecimento interno.
Hoje, o Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e o principal produtor e exportador de açúcar, café, soja e suco de laranja.
Sim, estes dados, demonstram uma pauta exportadora concentrada nas grandes comodities agrícolas, mas engana-se quem pensa que exportamos simplesmente bens primários. Através do agro, também exportamos ciência e inovação. Cada saca de soja, milho, fardo de algodão ou litro de biocombustível, leva consigo embutido tecnologia de ponta, fruto de décadas de investimentos em pesquisa. Com o uso da tecnologia, o Brasil foi capaz de quintuplicar sua produção de grãos nos últimos 40 anos, ao passo que a área ocupada pelas plantações cresceu em proporções bem menores. O clima e o solo das regiões tropicais aliados à tecnologia, hoje permitem que os cultivos proporcionem em alguns casos, até três safras anuais.
A experiência brasileira mostra que o investimento na agricultura tem a capacidade de gerar grandes retornos. Com base nas conquistas das últimas décadas, podemos encontrar alimentos brasileiros nas mesas de mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo.
Enfim, percebemos que a cidade reaprendeu a ver o campo.
Podemos então, abraçar nossa vocação agropecuária, com orgulho!!
Frederique Abreu é pesquisador da EMBRAPA e Assessor no Ministério da Agricultura.
