Quem me conhece ou acompanha minhas redes sociais principalmente Instagram sabe o quanto eu gosto de música, o que me faz conhecer e conviver com diversos artistas. Em Goiânia, tenho muitos amigos cantores, principalmente na música sertaneja, que frequentam minha casa. Sou daqueles que não canta nem toca nada, mas gosto de ouvir, e abro espaço para encontros musicais.
Como consultor financeiro, essa convivência me fez observar como os artistas, em geral, lidam com dinheiro, muitas vezes, de forma equivocada. A maioria dos cantores, principalmente, gosta de cantar e não se preocupa em fazer uma reserva financeira. Na primeira bolada que ganham com a música, aliás, já saem comprando carro importado zero, sem nem saber se terão recursos para fazer um seguro ou abastecer o veículo.
Outra situação comum é viver de aparências, no sentido de “ganhar” ou um comodato na um carro, casa, roupas caras, em troca de gestão de carreira, sem se dar conta de que tudo aquilo é uma ilusão. Muitas vezes o empresário ganha mais do que o próprio artista.
Resolvi abordar esse tema, até porque, em tempos de pandemia, a área de shows e de entretenimento foi uma das mais afetadas, com apresentações canceladas e cachês mais baixos para Lives. O mundo do show business tem altos e baixos. Poucos músicos conseguiram manter alguma renda e, é claro, quem não tinha uma reserva, certamente se viu em dificuldades.
Nesse jogo de erros financeiros, cito aqui 3 atitudes que podem ser evitadas pelos artistas para construir não apenas uma carreira, mas uma vida financeira estável:
Mostrar um status financeiro fake
Tanto músicos quanto jogadores de futebol, antes de ter uma estabilidade, investem em carros, noitadas e roupas caras logo no início da carreira. Não conseguem guardar recursos porque sentem a necessidade de exibir símbolos de sucesso como relógios de marca. Não vale viver de aparências, melhor aparentar menos e ter mais
Deixar o dinheiro na mão de outras pessoas
Conheço casos de músicos que tinham casa em condomínio de luxo, viviam como milionários, mas o dinheiro estava todo na mão do empresário. Na hora em que realmente precisaram de recursos, se viram endividados. São artistas que enriqueceram muita gente, conquistaram o sucesso, mas não conseguiram para si mesmos um porto seguro. Minha dica é ficar de olho no entra e sai de dinheiro, definir bem as porcentagens de cada pessoa envolvida no projeto, para não ter surpresas.
Gastar tudo e não guardar nada
Eu costumo dizer que é preciso cuidar do futuro, pois é lá que você vai viver o resto da sua vida. Já a maioria dos artistas pensa no presente e adota o lema “O futuro a Deus pertence”. O melhor é ter um equilíbrio. Por onde começar? Criando uma rotina, guardando 5% do que ganha, não importa qual seja o valor, se for uma bolada ou um pequeno cachê. É uma maneira de se policiar e criar o hábito de poupar. Afinal, há aquelas que vivem de música, enquanto outros vivem do “momento da música”. Se tiver uma boa orientação financeira, o artista vai fazer melhores escolhas, manter uma reserva e poder viver realmente do que mais ama, a música.
