No início de abril de 2021 foi divulgado o relatório: Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede PENSSAN (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). Segurança alimentar é a existência do acesso físico e econômico à alimentação nutritiva, saudável e em quantidade suficiente para atender suas necessidades de uma vida ativa e saudável. A falta dela denomina-se insegurança alimentar. A insegurança alimentar é classificada em três níveis: leve, moderada e grave.
Os resultados que aparecerem no relatório são assustadores, aparentemente pode ser visto como um extermínio dos já excluídos brasileiros. O termo extermínio é forte, porém, ao analisar o relatório é a impressão e a conclusão que se percebem. A evolução da população na faixa da insegurança alimentar vem crescendo desde 2014 com as políticas de austeridade adotada pelo Brasil, acarretando a redução de investimentos relacionados às políticas sociais. Tudo isso agravado mais ainda pela pandemia do Covid-19.
O relatório representa a gravidade do momento: dos 212 milhões de habitantes no Brasil, 117 milhões convivem com algum grau de insegurança alimentar (leve, moderada ou grave), destes, 43 milhões de habitantes não contam com alimentos em quantidade suficiente para atender suas necessidades (moderada e grave).
Os 117 milhões que estão em insegurança alimentar representam 55% da população brasileira. Essa é a média nacional, porém, quando se analisa por região, o Nordeste tem 72% da população em insegurança alimentar; o Norte 64%; o Centro-Oeste, 53%, e o Sudeste/Sul, 47%. Quando se divide a população em urbana e rural, a insegurança alimentar representa 60% na região rural, enquanto registra 54% na região urbana.
Tendo em vista a vasta área agrícola brasileira, não é admissível que 60% da população rural encontra-se em insegurança alimentar, já se passou da hora de uma política agrícola brasileira para os pequenos agricultores.
