No dia 22 de março, comemoramos o Dia Mundial da Água, instituído desde 1993 em Assembleia Geral das Nações Unidas. Ainda que seja um dia simbólico para celebrar a importância da maior fonte de vida do planeta, essa data é válida para reavaliarmos nossa postura frente ao mais rico líquido, fonte de vida que é a água.
A verdade é que nossa relação com a água extrapola a mera sobrevivência, o que exige de nós uma postura cada vez mais consciente de seu uso. A propósito, é possível enumerar várias formas com que nos relacionamos com a água, como por exemplo a função terapêutica que conferimos a esse recurso natural: um banho relaxante depois do trabalho, uma hidromassagem ou uma hidroterapia. Além de terapêutica, a água tem uma relação estreita com nosso lazer, pois, são raros os momentos de recreação em que a água não está presente, seja na piscina, no rio, no lago ou no mar.
Por tudo isso, a água foi até mesmo incorporada em nossa linguagem cotidiana, fazendo parte de um bom número de ditados e expressões populares. Quem nunca disse “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”? E aquele outro, hoje estou com a “alma lavada”? Quer ver mais, fulano “mudou da água para o vinho”. Essa reflexão sobre a inserção da água em nosso cotidiano, desde as tarefas mais simples às mais complexas, poderia se estender por páginas e mais páginas, entretanto o exposto já basta para comprovar sua presença em nossas vidas.
É comum ouvirmos apelos sobre a presença da água no planeta Terra, que na verdade deveria se chamar planeta água. Também já sabemos que nosso próprio corpo é composto por mais de 70% de água e somam-se a esses dados o fato de que a água está mal distribuída: 70% das águas doces do Brasil estão na Amazônia, onde vivem apenas 7% da população.
Essa distribuição irregular deixa apenas 3% de água para o Nordeste. Essa é a causa do problema de escassez de água verificado em alguns pontos do país. Em Pernambuco existem apenas 1.320 litros de água por ano por habitante e no Distrito Federal essa média é de 1.700 litros, quando o recomendado são 2.000 litros. Esses números escancaram uma realidade há muito tempo notória: a urgência de políticas públicas mais abrangentes e assertivas e um melhor gerenciamento dos recursos hídricos, não apenas no Brasil, mas em todos os países.
Os seres humanos deveriam ter uma consciência mais abrangente, com uma profunda compreensão da importância da água em cada minúsculo gesto de nossas vidas, que cada gota desse precioso líquido carrega a complexidade e a riqueza da vida. Se tal consciência existisse, esforços seriam envidados no intuito de impedir que os recursos hídricos se esgotassem como temos, infelizmente, observado. É nosso dever cuidar desse recurso natural como quem cuida da própria existência, o que na essência é isso mesmo, pois cuidar da água é cuidar de nós, dos nossos filhos e das gerações futuras.
Há tempos tenho me preocupado com esta questão, a vida não existe sem água. Se todos os organismos contêm água, qual seria a razão dos seres humanos não se preocuparem com o uso indiscriminado do precioso líquido da vida. Poderíamos nos referir aos níveis de responsabilidade dos poderes públicos, da iniciativa privada, do crescimento desordenado das cidades, da poluição e do consumo praticado pela população em geral, para então irmos em busca de um ou mais responsáveis pela situação caótica em que se encontra várias partes deste nosso imenso país relacionado a água, mas, com certeza isto não resolveria o grave problema que ora nos aflige.
O que resolve nossos problemas chama-se ação. Agir é a melhor opção. São pequenas ações envolvendo o educar para a vida que transforma realidades. Nesta perspectiva, várias entidades, associações, e diferentes segmentos da sociedade civil organizada desenvolveram ao longo do mês de março, atividades educativas com o tema água.
O Dia Mundial da água foi tema em rodas de conversas, lives, congressos on-line, nas aulas remotas e nas famílias. Foi discutido sobre o uso racional e questões como o desperdício de água, como desenvolver atitudes de conservação e preservação, valorização do meio ambiente, poluição dos rios e a compreensão da importância da água para a vida no planeta.
Como educadora acredito que a educação transforma vidas e, neste caso, a própria conservação da vida dependerá de uma educação pautada no respeito e cuidados com o meio ambiente e, de forma muito específica, com os recursos hídricos. Vale lembrar: sem água não há vida!
Marcia Pereira Carvalho
Pedagoga, Psicopedagoga
Mestre em Sociedade, Políticas Públicas e Meio Ambiente,
Palestrante, Consultora Educacional e Palestrante.
